Boas Festas

Quem disse que a tradição é inimiga da modernidade?

Presépio tradicional do Algarve

No Algarve  e na Madeira o nascimento de Jesus é representado, tradicionalmente,  de uma forma muito singela.

Um menino vestido num altar piramidal, laranjinhas e searinhas.

Esta tradição coexiste com um presépio integrado numa paisagem rural ou, nos Açores,  com representações miniaturais de cenas da vida rural ou aldeã.

 

 

Presépio de altar tradicional da Madeira Presépio tradicional dos Açores

Presépio tradicional dos Açores

A representação do presépio centra-se na Sagrada Família, mas inclui um número variado de outras figuras associadas à tradição bíblica – pastores, animais domésticos, reis magos. Claro que os anjos e as estrelas, fazendo parte do universo celestial, entram, por vezes, neste cenário.

E nós, que vivemos num mundo urbano, já não temos espaço para armar um presépio com musgo, cortiça, lagos de prata com cisnes, caminhos de areia, azevinho com bagas vermelhas, searinhas. Menino Jesus de pé (já crescidinho) com um vestido de brocado ou de linho bordado, num cimo de um altar, seria muito mais fácil de armar. A verdade é que, levados pelo consumismo, preterimos a tradição a favor de uma modernidade ostentatória e fingimos que somos reis magos ricos por um dia.

Agora imaginem que S. José tinha um portátil com internet…  

http://www.youtube.com/watch?v=tgtnNc1Zplc

BOAS FESTAS!

Alegrem-se os céus e a Terra

Presépio tradicional armado pelos alunos de Antropologia do 12º C

 Os alunos de Antropologia, alguns dos quais são membros do Clube, «armaram» um presépio tradicional na escola. Trouxeram os materiais – cortiça, musgo, terra, searinhas, arbustos da época e figurinhas de barro. Finalmente foi colocada uma lamparina de azeite para iluminar o Menino.

Desejando a todos um Feliz Natal, deixamo-vos aqui uma fotografia do nosso presépio e um cântico tradicional.

Os cantos natalícios eram muito populares na serra algarvia.

Um dos mais conhecidos, recolhido pelo Padre José da Cunha Duarte em 1984 na Serra de Monchique e no interior do Sotavento, é assim:

Alegrem-se os céus e a Terra

Coro

Alegrem-se os céus e a terra,

Cantemos com alegria;

Que nasceu o Deus Menino,

Filho  da Virgem Maria.

1

Ó meu Menino Jesus,

Ó meu Menino tão belo;

Onde havias de nascer,

Na noite do caramelo.

2

Ó meu Menino Jesus,

A vossa capela cheira;

Cheira a cravo, cheira a rosa,

À felor de laranjeira.

3

Sua mãe  estava a pedir;

Sua mãe estava a dizer:

Não tenho cama, nem berço,

Nos braços te criarei.

4

Entrai, pastores, entrai,

Por esse portal sagrado;

Vinde adorar o Menino,

Numas palhinhas deitado.

5

Entrai, pastores, entrai,

Por esse portal adentro;

Vinde adorar o Menino,

O divino sacramento.

Padre José da Cunha Duarte. Natal no Algarve: raízes medievais. Lisboa: Edições Colibri, 2002, p. 131