Visita ao Centro de Documentação

Visita de trabalho ao Centro de Documentação e Arquivo histórico do Museu Municipal de Portimão

Hoje, dia 16 de Dezembro, a maioria dos membros do Clube de História foi conhecer de perto as fontes para a história local.

Fomos recebidos pela Dra Isabel Soares que explicou aos alunos como fazer uma pesquisa no Centro de Documentação. Apresentou-nos os catálogos, as obras de referência e os estudos regionais. 

Membros do Clube com Dra Isabel Soares

Descobrir a história pode ser muito divertido...

 Os alunos familiarizaram-se com os instrumentos de pesquisa e calçaram as luvas para folhearem os manuscritos e os jornais antigos. A D. Aurora, assistente do arquivo ensinou os alunos a usarem o leitor de microfilmes que permitirá a leitura dos jornais locais que se encontram na Biblioteca Nacional.

Ruben, Daniela e Catarina manuseando o Registo de amas dos expostos

O entusiasmo foi grande para iniciar os trabalhos de pesquisa sobre a I República em Portimão.

Em breve iremos de férias. Voltaremos ao Arquivo em 2010, ano do Centenário da República.

A República na cidade

Portimão, de vila a cidade

Vila por mais de quatro séculos, Portimão tornou-se cidade no final da 1ª República, durante o mandato presidencial de Manuel Teixeira Gomes. Foi exactamente em 11 de Dezembro de 1924 que foi promulgado o decreto de elevação a cidade. Foi também a 11 de Dezembro, do ano seguinte, que foi lido e aceite no Congresso da República o pedido de renúncia de Manuel Teixeira Gomes.

A vocação marítima de Portimão foi consolidada com o desenvolvimento da pesca, do comércio, da indústria de conservas de peixe e com o turismo. A complementaridade com a serra de Monchique foi, desde cedo, estimulada por privilégios dos monarcas quinhentistas respeitantes ao abate de castanheiros para a construção naval. Mais tarde, já no século XX, a população rural serrana desce para a vila marítima e alimenta com a sua força de trabalho a produção fabril e o boom turístico dos anos 60. O despovoamento da serra avoluma a população urbana.

O rio e o mar são, ainda hoje, os factores vitais para a afirmação de Portimão no contexto regional e internacional. Se no séc. XVI partiam marinheiros e mestres de navios para as Américas e para a Andaluzia, barcos carregados de peixe salgado e de frutos secos foram partindo para o Norte da Europa e para os portos do Mediterrâneo, estabelecendo nessas rotas a fisionomia deste porto seguro. Nos finais da monarquia o movimento intensificou-se com o estabelecimento de catalães e andaluzes dinamizadores da indústria conserveira e do comércio. A feição cosmopolita modernizou-se e moldou-se na relação com a Europa.

José Libânio Gomes

Manuel Teixeira Gomes, presidente da República

A família de Manuel Teixeira Gomes ilustra esse cosmopolitismo – seu avô combateu em França, seu pai foi cônsule da Bélgica, ele próprio viajou incessantemente em negócios para Norte – rentabilizando os laços tecidos pelo pai em França, na Holanda e na Bélgica – e, ociosamente, pelo Sul.

Durante a República, Vila Nova crescera e as infra-estruturas urbanas foram-se modernizando. O cais foi remodelado, construiu-se um mercado de peixe e um jardim, o sapal foi aterrado.   Além da canalização de água potável e da instalação de um gerador que permitia a iluminação pública de algumas zonas da vila (Central Eléctrica Valverde, 1918), construiram-se edificios públicos como o matadouro municipal (1913, onde hoje está instalado um polo da UALG), o mercado de frutas e hortaliças (1914, demolido recentemente) e a estação ferroviária (1915). No largo Visconde de Bivar (Praça Manuel Teixeira Gomes desde 1951), no palacete da Viscondessa de Alvor, instalaram-se duas casas comerciais emblemáticas  – Casa Havaneza e Casa Inglesa (1922) – e, em 1925, colocou-se no centro deste largo um  coreto onde se realizavam animados concertos pelas bandas locais.  

A Praia da Rocha logo nos primeiros anos do século XX era procurada como espaço de lazer pelas elites locais. Os touristes franceses, espanhóis e ingleses foram chegando e os melhoramentos urgiam. Em 1910 construi-se o Casino na Praia da Rocha onde se realizavam bailes, concertos, jogos, chás dançantes e, em 1915, aí teve lugar o I Congresso Regional Algarvio. Em 1927, segundo Raul Proença, a frequência anual média da Praia da Rocha era de 700 banhistas que se distribuiam por mais de 100 casas de aluguer e pelo Hotel Viola. Contudo, só na década de 30 os melhoramentos foram notórios com a modernização das vias públicas e da iluminação e com a construção de mais unidades hoteleiras.

A vida cultural da jovem cidade, durante a I República, era intensa. Sociedades recreativas, bandas filarmónicas, animatógrafo, casino, imprensa periódica. Desse tempo ainda subsistem alguns edificios e nomes de ruas das quais iremos dando conta neste blogue.

Estudos toponímicos II

Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Reino e de Portimão.

O laicismo do Estado não exclui as tradições católicas do calendário civil.

O dia 8 de Dezembro, feriado nacional em Portugal e local em várias cidades do Brasil, é o dia consagrado a Nossa Senhora da Conceição. Foi D. João IV que, nas cortes de Lisboa de 1646, declarou a Virgem Nossa Senhora da Conceição por padroeira do Reino de Portugal, como agradecimento pela restauração da independência de Portugal. Ordenou ainda que  os estudantes na Universidade de Coimbra, antes de tomarem algum grau, jurassem defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

Por todo o país e império muitas igrejas a adoptaram como padroeira, como a igreja matriz de Portimão e a respectiva freguesia.

A igreja de Nossa Senhora da Conceição é anterior a esta invocação. Foi erigida  no ponto mais elevado da povoação,  no interior das muralhas, por iniciaiva e a custas do então donatário de Vila Nova de Portimão – D. Gonçalo Vaz de Castelo Branco, em 1476.

Embora de raiz quatrocentista, a sua fisionomia foi alterada pelas sucessivas reconstruções, em particular após o terramoto de 1755 que muitos estragos provocou na vila. Da construção inicial resta a estrutura em cruz latina de três naves, o portal e duas pias de água benta em grés de Silves.

A capela-mor onde se encontra a imagem de Nossa Senhora da Conceição apresenta um retábulo em nogueira dourada muito original, da autoria do escultor algarvio Manuel Martins e datado de 1721.

Trata-se de um conjunto minuciosamente concebido e executado, composto por folhagens que envolvem arquivoltas e fustes salomónicos, polvilhado de anjinhos rechonchudos, atlantes, águias e mulheres ricamente vestidas e ornadas de grinaldas. Folhas de acanto, parras, cachos de uvas, evocam uma natureza mística, povoada de anjos prazenteiros em equilíbrio perfeito. No centro do conjunto, sobre pano azul-celeste, uma imagem da Padroeira sobre nuvem com cabecinhas de anjos.

 (Maria da Graça Mateus Ventura e Maria da Graça Maia Marques. Portimão. Editorial Presença, 1993, p. 26)

Do tempo da vila muralhada e da proeminência da igreja matriz subsistem topónimos que evocam a sua proximidade: rua da Igreja  e o Postigo da Igreja.

Quentes e boas!

Castanha assada

feira de ptm

 

Actualmente a castanha  é muito popular nas cidades portuguesas e em todo o Mediterrâneo, até na longínqua Istambul.   Associada ao  Outono e ao S. Martinho, é apreciada sobretudo assada. Em fogareiros ou outras engenhocas transportadas em carrinhos de mão, vendidas em cartucho à dúzia, vêmo-las por toda a parte, adivinhamo-las pelo fumo e pelo cheiro.

 

 

Vendedores de castanhas na feira de S. Martinho, Portimão

 

Tempos houve em que a castanha e a bolota eram a base da alimentação popular até à generalização, no séc. XVIII, do consumo da batata (oriunda da América).

21_ourico_castanha%20judia_Pinela  castanha crua

O castanheiro, árvore de grande porte da família das fagáceas ou das castaneáceas, é considerado por muitos povos como um símbolo de perenidade e de fartura. O fruto do castanheiro, a castanha, eclode ao fim de 10 anos de vida da árvore, formando-se dentro de um ouriço que, ao eclodir, exibe um fruto brilhante constítuido por  duas capas, uma lustrosa e outra amargosa. Existem soutos de Norte a Sul do país, em zonas húmidas e sombrias como a serra de Monchique.

Em Portugal o dia 11 de Novembro é festejado com «magustos» de água pé  e castanhas. Festa colectiva, no espaço público, ou privada, o magusto pode estar associado à matança do porco ou à prova do vinho novo.

A feira de Portimão relembrada por Manuel Teixeira Gomes

Em 1939, em Bougie, Manuel Teixeira Gomes recorda a feira de Portimão quando ele tinha 13 ou 14 anos de idade

caisComo parecia aumentar a extensão do cais logo que a feira lá assentava! Tornava-se uma vastidão sem fim. Começava pela barulhenta rua dos sapateiros (cheia de penduricalhos, tresandando a curtidura) que eu mal percebia que coubesse ali; depois a rua igualmente longa dos paneiros, porém, mais repousada, quase silenciosa, embora fosse raro o momento em que eles não trabalhassem, medindo às varas os sorianos apetecidos pelos lapuzes friorentos; depois a rua dos tendeiros, exposição das maravilhas que as crianças ambicionam para os seus paraísos domésticos: pélas multicores; tirsos cobertos de guizos; arlequins abrindo os braços do alto das tribunas que lhes proporcionam os gargalos de garrafas; animais de toda a casta, e as gaitinhas de toda a espécie e feitios, com os berimbaus, os tambores, as trompas; e para remate, as harmónicas inacessíveis, regalos… de príncipes reais. Quase isolada, mais larga e decorativa, embora mais curta, a rua com as barracas de arreios: a alegria andaluza dos cabrestões recamados de rosas, as retrancas franjadas, as rédeas de polimenta.

No coração da feira os aristocráticos ourives, com a densa e variada multidão da freguesia que lhes perscruta os escaparates: damas elegantes e desdenhosas; casais de namorados devaneando sobre a posse daqueles tesouros; campónias poupadas que forraram o dinheiro para comprar um par de brincos, ou um cordão, e andam com a família toda (e o noivo) horas sucessivas a examinar, a ajustar…

Por fim, formando bairro à parte, as barracas de «comes e bebes» com toques de guitarra e figurões congestionados que deitam  a cabeça de fora para vomitar vinho tinto…

Depois, ao ar livre (como chega o espaço para tanta coisa!) a obra de castanho, feita em Monchique: mesas, cadeiras e arcas; os montes de frutas, os peros rescendentes, o cascalho de nozes, as pirâmides de romãs; e as louças de barro, de faiança, estendidas sobre o junco, luzindo ao sol a peculiar garridice dos seus esmaltes vidrados.

Formando também bairro distinto as barracas de bazares ou leilões, dos títeres, e aquela infalível – temerosa – das feras, que se por acaso se soltassem (pobres feras!) devoravam tudo, com constante e enorme concorrência de labregos pasmados e de embarcadiços de mãos dadas e andar balouçado.

E as surpresas e transes da corredoira, para quem se propõe escolher um burro sólido e veloz, que mate de inveja os companheiros de escola?

Mas excedendo tudo a feira de gado, com essa raça de bois vermelhos que no Algarve apuram até à perfeição extreme, e não tem rival no mundo.(…)

E por todos os lados, o povo, a agitação, o bulício, a poeira, o barulho, são tais que as mães estonteadas, cegas, esquecem os filhos que se perdem e desaparecem roubados pelos ciganos, diz a lenda que cito para pôr ponto à relação de tantos assombros…  pueris».

Manuel Teixeira Gomes, Carnaval Literário, 1939

Feira de São Martinho de Portimão

A feira de São Martinho de Portimão realiza-se há 353 anos. Em 1662, D. Afonso VI deferiu o pedido dos Oficiais da Câmara de Portimão para que se realizasse uma feira anual no dia 11 de Novembro.

ALVARÁ

Eu, el Rei, faço saber aos que este alvará virem que havendo respeito ao que pela petição atrás escrita, assinada por Jacinto Fagundes Bezerra meu escrivão de Câmara, me enviaram dizer os oficiais da Câmara de Vila Nova de Portimão sobre se fazer cada ano uma feira na dita vila por dia de São Martinho, e visto o que alegam e o que constou por informação que se houve pelo provedor da Comarca do Reino do Algarve, hei por bem e me apraz que daqui em diante se possa fazer na dita vila uma feira cada ano no dia referido como os suplicantes pedem, sem prejuízo de minha fazenda real, e este alvará se cumprirá como se nele contém e valerá posto que seu efeito haja de durar mais de um ano, sem embargo da ordenação do Livro 2º título 4º em contrário, e não pagou novos direitos por não ser feira franca como constou da certidão do escrivão Henrique Correia da Silva.  Vital Paes a fez em Lisboa a três de Outubro de mil seiscentos e sessenta e dois. Jacinto Fagundes Bezerra o fez escrever.

Rei.

ANTT, Chancelaria de D. Afonso VI, Liv. 25, fl. 82

Quem foi SÃO MARTINHO?

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São Martinho, c. 1490

Budapeste, Museu Nacional

S. Martinho nasceu na Panónia, actual território da Hungria, em 316. Filho de um oficial do exército romano, seguiu a carreira militar até que, com cerca de 40 anos de idade foi ao encontro de santo Hilário, bispo de Poitiers, que lhe conferiu ordens sacras e lhe deu a oportunidade de entrar na vida religiosa. Dez anos depois foi ordenado bispo de Tours.   Faleceu em 11 de Novembro de 397 e, durante muitos séculos, foi um dos santos mais populares da Europa.

Desde a Idade Média, o calendário  litúrgico, com  profundas raízes populares, constituía uma referência para o calendário civil nos países de tradição cristã. Embora actualmente o laicismo dos Estados justifique a exclusão de muitos feriados religiosos, ainda permanecem as tradições evocativas de festividades cristãs, por vezes associadas aos ciclos da Natureza cultuados pelos celtas. O dia de S. Martinho corresponde, justamente, ao fim do ciclo das colheitas e à transição do Verão para o Inverno. Esta coincidência deu origem a inúmeros provérbios e à realização de feiras anuais que, durante séculos,  desempenharam uma função económica, social e cultural importantíssima.

PROVÉRBIOS

Dia de S. Martinho, fura o teu pipinho.

Dia de S.Martinho, lume, castanhas e vinho.

No dia de S. Martinho abre-se a pipa e prova-se o vinho.

No dia de S. Martinho come-se castanhas e prova-se o vinho.

No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho.

Pelo S. Martinho, todo o mosto é bom vinho.

Pelo S. Martinho, mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.

Pelo S. Martinho engorda o teu porquinho.

Se queres pasmar teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.

ADIVINHA

Tem casca bem guardada

Ninguém lhe pode mexer

Sozinha ou acompanhada

Em Novembro nos vem ver

Exposição “As carrinhas de Portimão”

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Até 2010-01-03, o Museu de Portimão propõe uma viagem às memórias dos portimonenses, ao tempo dos veículos de tracção animal e meio de transporte colectivo de passageiros que antecederam o autocarro e o automóvel, com particular destaque para a carreira Portimão–Praia da Rocha.

A exposição pode ser visitada gratuitamente às terças-feiras, das 14h30 às 18h00, e de quarta-feira a domingo entre as 10h00 e as 18h00.

Já visitou o museu?

Sabia que, além de exposições temporárias, o museu apresenta exposições permanentes sobre  indústria conserveira, arqueologia e etnografia do município de Portimão?

12C

 

 

Os alunos de Antropologia do 12º C têm programadas visitas temáticas  que começaram a 13 de Outubro com uma visita à exposição As carrinhas de Portimão.