Concurso escolar A história da minha rua – Regulamento

 

REGULAMENTO

Âmbito do concurso

O concurso escolar “A História da Minha Rua” pretende premiar os melhores trabalhos desenvolvidos pelos alunos da escola, bem como promover o interesse dos jovens pela história local. 

Este concurso decorrerá na Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes entre o dia 14 de Fevereiro e 27 de Abril de 2011, conforme programa a divulgar posteriormente. 

Destinatários

O concurso é dirigido a todos os alunos da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes.

Todos os alunos da escola poderão participar com um trabalho individual e inédito.

Tema do trabalho

Os trabalhos devem ter como tema “A História da Minha Rua”, sendo que os autores dos trabalhos devem centrar-se numa pesquisa sobre uma rua da sua preferência/vivência, dando realce ao nome que foi atribuído à rua e salientando o motivo pelo qual ele foi escolhido (ex: personalidades, localidades, etc.).

Além da pesquisa sobre o nome da rua, o trabalho deverá revelar criatividade e originalidade.

Formato

Os trabalhos deverão ser realizados em suporte de papel.

O trabalho deve ser editado com letra Arial, tamanho 12, sendo que o espaçamento deve ser 1,5. O limite máximo é de 5 páginas A4.

O trabalho deve conter ilustrações e deve ser assinado com um pseudónimo (não podendo existir qualquer menção ao nome do seu autor).

Fases do concurso

1ª fase

Os autores dos trabalhos deverão proceder à sua entrega entre o dia 14 de Fevereiro de 2011 e o dia 27 de Abril de 2011.

2ª fase

A admissão dos trabalhos a concurso e a sua avaliação são da responsabilidade do  júri e basear-se-ão nos critérios enumerados no ponto “Critérios de Avaliação”.

Entrega dos trabalhos

A entrega dos trabalhos deverá ser feita através de um envelope, no qual deverá constar o título do trabalho e o pseudónimo do autor, dentro do qual será colocado outro envelope com o verdadeiro nome do autor.

Os trabalhos deverão ser entregues na biblioteca da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes.

Os envelopes estarão disponíveis na BE/CRE a partir do dia 9 de Fevereiro de 2011.

Critérios de avaliação

Só serão admitidos a concurso os trabalhos, que respeitem as condições defenidas no presente regulamento.

A apreciação dos trabalhos terá em conta os seguintes critérios:

1.       Rigor científico;

2.       Criatividade/ originalidade;

3.       Qualidade da apresentação.

Júri

O júri será constituído por:

– Docentes do grupo disciplinar de História;

– Uma personalidade da cidade de Portimão.

Prémios

Serão atribuídos prémios aos três melhores trabalhos, bem como menções honrosas aos restantes, caso o júri os considere merecedores desta distinção.

O júri poderá não atribuir prémios caso os trabalhos não apresentem a qualidade pretendida.

A decisão do júri será soberana e definitiva, não havendo lugar a qualquer recurso.

1º Prémio – livros no valor de 50€

2º Prémio – livros no valor de 30€

3º Prémio –livros no valor de 20€

Cerimónia de entrega dos prémios

Os prémios serão entregues em cerimónia a realizar no dia 27 de Maio de 2011 (Dia de Manuel Teixeira Gomes).

Propriedade dos trabalhos

Os trabalhos admitidos a concurso poderão ser utilizados no âmbito das actividades levadas a cabo pela organização, nomeadamente, através da sua publicação nos blogues (www.noseahistoria.wordpress.com   e www.ahistorianacidade.wordpress.com) ou na imprensa regional.

Os trabalhos premiados integrarão o acervo documental do grupo disciplinar de História, com vista ao seu uso com fins didáticos.

Contactos para esclarecimentos

Gabinete de Ciências Sociais e Humanas (Bloco A)

Docentes do Grupo Disciplinar de História.

Blogues: www.noseahistoria.wordpress.com

www.ahistorianacidade.wordpress.com

Organização

Este concurso é organizado pelos docentes pertencentes ao grupo disciplinar de História.

A República na cidade

 

A História da Minha Rua

 

 Praça da República

 

O antigo Rossio de Portimão ou Largo do Pelourinho, assim chamado durante o Antigo Regime, situava-se extra-muros, junto ao postigo da Igreja. Foi aqui que, desde 1662, se realizava a feira franca, até que passou para o cais da vila em finais do século XIX.

O largo do Rossio passou a denominar-se Praça da República logo a seguir à Revolução de 5 de Outubro. Era o principal espaço de lazer e circulação pedestre de Portimão, próximo da zona mais nobre e comercial da cidade, ocupando cerca de um quarteirão rectangular. Nela se situavam os principais espaços de encontros e desencontros, entre transeuntes, tais como o antigo Colégio da Companhia de Jesus, a Igreja Matriz e o Mercado de Frutas e Hortaliças de Portimão, este último, o maior centro de convívio entre os Portimonenses durante a 1ª metade do séc. XX.

A construção do Colégio jesuíta ficou concluída em 1707. Com a extinção da Companhia de Jesus em 1753, o colégio foi entregue à Universidade de Coimbra e à Ordem de S. Camilo de Lélis. Em 1834 as ordens religiosas foram extintas e os seus bens nacionalizados e postos à venda. O Colégio dos Jesuítas, não conseguindo comprador, permaneceu durante alguns anos como Património Nacional. Porém, a 18 de Agosto de 1853, Fontes Pereira de Melo decretou no “Diário do Governo” nº 207 que parte do edifício fosse concedida à Câmara Municipal de Vila Nova de Portimão. De então para cá, o edifício teve diferentes utilizações: no primeiro piso instalaram-se a Misericórdia, um Hospital da Ordem Terceira de S. Francisco, o Tribunal Judicial, a Administração do Concelho e a Repartição da Fazenda, enquanto no piso térreo funcionou um albergue, o teatro de S. Camilo, uma esquadra de Polícia e um Museu.

O antigo Colégio assumia desta forma um importante papel em Vila Nova de Portimão, uma vez que o conjunto de actividades que suportou durante o século XIX correspondia aos principais serviços e equipamentos necessários ao funcionamento desde pequeno centro urbano. O teatro de S. Camilo, propriedade da Misericórdia, permaneceu no antigo Colégio ainda durante os primeiros anos da República, exercendo as suas funções até 1914.

 Actualmente, a antiga Igreja do Colégio é a Igreja da Misericórdia, e no restante edifício funcionam as instalações da Junta de Freguesia da Cidade, um Centro de Dia e ainda uma galeria de Arte.

A Igreja Matriz de Portimão, próxima da Praça, foi edificada no terceiro quartel do século XV, na zona mais elevada da Vila. Sofreu muitos danos no Terramoto de 1755, ficando praticamente destruída, o que levou à sua reconstrução. Em 1969 foi alvo de novos estragos provocados pelo sismo que abalou Portimão nesta data.

Finalmente, o Mercado de Verduras e Hortaliças foi, de facto, o espaço verdadeiramente Republicano de Portimão, tendo sido construído poucos anos após o 5 de Outubro de 1910. A Câmara Municipal ordena a sua construção em 1913 no largo fronteiro ao Colégio de S. Camilo, uma opção que foi alvo de algumas críticas, principalmente por um cidadão que em reunião da Comissão Executiva Municipal alegou que o “edifício vai ficar altamente prejudicado com a citada construção no aludido lugar”.

No entanto, o mercado é inaugurado a 24 de Maio de 1914, passando a organizar um novo circuito comercial no interior da cidade, dado que as principais instituições comercias da mesma alargavam-se até ao mercado de peixe, situado junto do cais.

Este espaço não era somente comercial, pois assumiu durante muito tempo um carácter cultural visto que foi utilizado, em diversas ocasiões, para bailes populares e até arrojadas acrobacias entre a Torre da Igreja e a Praça. A sua proximidade à Igreja Matriz e às sociedades recreativas permitiam a sua frequente utilização, até mesmo no exterior do mercado quando os camponeses vendiam aos Domingos os seus mais variados produtos agrícolas, animais ou géneros alimentícios.

 O mercado de Frutas foi desactivado em 1988, sendo o edifício utilizado para diversos fins culturais, tendo sido demolido dois anos depois.

A Praça da República manteve este nome ainda no decorrer do Estado Novo. Só após a demolição do Mercado de Frutas é que passou a ser denominada de Alameda de República onde hoje é possível encontrar um local renovado com repuxos, cafés e um parque infantil.

Ana Rita Mateus, 12º C

Estudos toponímicos II

Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Reino e de Portimão.

O laicismo do Estado não exclui as tradições católicas do calendário civil.

O dia 8 de Dezembro, feriado nacional em Portugal e local em várias cidades do Brasil, é o dia consagrado a Nossa Senhora da Conceição. Foi D. João IV que, nas cortes de Lisboa de 1646, declarou a Virgem Nossa Senhora da Conceição por padroeira do Reino de Portugal, como agradecimento pela restauração da independência de Portugal. Ordenou ainda que  os estudantes na Universidade de Coimbra, antes de tomarem algum grau, jurassem defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

Por todo o país e império muitas igrejas a adoptaram como padroeira, como a igreja matriz de Portimão e a respectiva freguesia.

A igreja de Nossa Senhora da Conceição é anterior a esta invocação. Foi erigida  no ponto mais elevado da povoação,  no interior das muralhas, por iniciaiva e a custas do então donatário de Vila Nova de Portimão – D. Gonçalo Vaz de Castelo Branco, em 1476.

Embora de raiz quatrocentista, a sua fisionomia foi alterada pelas sucessivas reconstruções, em particular após o terramoto de 1755 que muitos estragos provocou na vila. Da construção inicial resta a estrutura em cruz latina de três naves, o portal e duas pias de água benta em grés de Silves.

A capela-mor onde se encontra a imagem de Nossa Senhora da Conceição apresenta um retábulo em nogueira dourada muito original, da autoria do escultor algarvio Manuel Martins e datado de 1721.

Trata-se de um conjunto minuciosamente concebido e executado, composto por folhagens que envolvem arquivoltas e fustes salomónicos, polvilhado de anjinhos rechonchudos, atlantes, águias e mulheres ricamente vestidas e ornadas de grinaldas. Folhas de acanto, parras, cachos de uvas, evocam uma natureza mística, povoada de anjos prazenteiros em equilíbrio perfeito. No centro do conjunto, sobre pano azul-celeste, uma imagem da Padroeira sobre nuvem com cabecinhas de anjos.

 (Maria da Graça Mateus Ventura e Maria da Graça Maia Marques. Portimão. Editorial Presença, 1993, p. 26)

Do tempo da vila muralhada e da proeminência da igreja matriz subsistem topónimos que evocam a sua proximidade: rua da Igreja  e o Postigo da Igreja.