A guerra nas colónias portuguesas em África

O Zé, 8.8.1914 "Eu não tenho armas!? ... Para combater os alemães tenho as de ... S. Francisco"

O Zé, 8.8.1914
“Eu não tenho armas!? … Para combater os alemães tenho as de … S. Francisco”

 

Em 1914, com exceção da Etiópia, da Libéria e da União Sul Africana, que eram independentes, da Líbia e de Marrocos que não tinham sido ainda “formalmente conquistados”, o resto do continente africano encontrava-se ocupado e dividido entre o Reino Unido, França, Portugal, Alemanha, Espanha, Itália e Bélgica.

A Grã-Bretanha detinha o maior império em África, controlando cerca de 4/5 do comércio na região a Sul do Sahara. A Alemanha, por sua vez, dando continuidade à política iniciada por Bismark no final do século XIX, detinha um pequeno império, mas estrategicamente posicionado, estendendo-se de Madagáscar até à entrada do Mar Vermelho. Ambos os impérios faziam fronteira com territórios sob administração portuguesa, cujo domínio tinham começado a disputar no palco internacional.

"As possessões portuguesas da África, e as alemãs, belgas e inglesas que confinam com elas. É de todo o ponto interessante a publicação do presente mapa, pelo qual os nossos leitores podem apreciar a situação das nossas colónias na África em relação aquelas com que confinam - alemãs, belgas e inglesas. Um simples golpe de vista sobre este mapa, quando se tenha a noção exacta da gravidade do momento actual, dá a ideia precisa da altíssima missão confiada às tropas espedicionárias que partiram em 11 do corrente" . Ilustração Portuguesa, nº 447, de 14 de Setembro de 1914; pág.348 - Hemeroteca Digital

“As possessões portuguesas da África, e as alemãs, belgas e inglesas que confinam com elas. É de todo o ponto interessante a publicação do presente mapa, pelo qual os nossos leitores podem apreciar a situação das nossas colónias na África em relação aquelas com que confinam – alemãs, belgas e inglesas. Um simples golpe de vista sobre este mapa, quando se tenha a noção exacta da gravidade do momento actual, dá a ideia precisa da altíssima missão confiada às tropas espedicionárias que partiram em 11 do corrente” . Ilustração Portuguesa, nº 447, de 14 de Setembro de 1914; pág.348 – Hemeroteca Digital

A posição geoestratégica dos territórios portugueses em África, aliada à dimensão periférica, económica e financeiramente frágil da metrópole, suscitou, logo a seguir ao assassinato de Sarajevo, a imediata e particular atenção da República portuguesa.

A 21 de Agosto de 1914, o Presidente do Ministério, Bernardino Machado, decretou a organização e o envio de dois destacamentos mistos (artilharia de montanha, cavalaria, infantaria e metralhadoras) com destino a Angola e Moçambique.

Entre 1914 e 1918 Portugal mobilizou cerca de 30 000 homens para combater em Angola e em Moçambique. Grande parte dos militares que integraram estas expedições chegaram a África já doentes, incapazes de resistir às terríveis condições de higiene vividas durante a viagem.

http://www.portugal1914.org/portal/pt/escolas-historia