Visita ao Centro de Documentação

Visita de trabalho ao Centro de Documentação e Arquivo histórico do Museu Municipal de Portimão

Hoje, dia 16 de Dezembro, a maioria dos membros do Clube de História foi conhecer de perto as fontes para a história local.

Fomos recebidos pela Dra Isabel Soares que explicou aos alunos como fazer uma pesquisa no Centro de Documentação. Apresentou-nos os catálogos, as obras de referência e os estudos regionais. 

Membros do Clube com Dra Isabel Soares

Descobrir a história pode ser muito divertido...

 Os alunos familiarizaram-se com os instrumentos de pesquisa e calçaram as luvas para folhearem os manuscritos e os jornais antigos. A D. Aurora, assistente do arquivo ensinou os alunos a usarem o leitor de microfilmes que permitirá a leitura dos jornais locais que se encontram na Biblioteca Nacional.

Ruben, Daniela e Catarina manuseando o Registo de amas dos expostos

O entusiasmo foi grande para iniciar os trabalhos de pesquisa sobre a I República em Portimão.

Em breve iremos de férias. Voltaremos ao Arquivo em 2010, ano do Centenário da República.

A feira de Portimão relembrada por Manuel Teixeira Gomes

Em 1939, em Bougie, Manuel Teixeira Gomes recorda a feira de Portimão quando ele tinha 13 ou 14 anos de idade

caisComo parecia aumentar a extensão do cais logo que a feira lá assentava! Tornava-se uma vastidão sem fim. Começava pela barulhenta rua dos sapateiros (cheia de penduricalhos, tresandando a curtidura) que eu mal percebia que coubesse ali; depois a rua igualmente longa dos paneiros, porém, mais repousada, quase silenciosa, embora fosse raro o momento em que eles não trabalhassem, medindo às varas os sorianos apetecidos pelos lapuzes friorentos; depois a rua dos tendeiros, exposição das maravilhas que as crianças ambicionam para os seus paraísos domésticos: pélas multicores; tirsos cobertos de guizos; arlequins abrindo os braços do alto das tribunas que lhes proporcionam os gargalos de garrafas; animais de toda a casta, e as gaitinhas de toda a espécie e feitios, com os berimbaus, os tambores, as trompas; e para remate, as harmónicas inacessíveis, regalos… de príncipes reais. Quase isolada, mais larga e decorativa, embora mais curta, a rua com as barracas de arreios: a alegria andaluza dos cabrestões recamados de rosas, as retrancas franjadas, as rédeas de polimenta.

No coração da feira os aristocráticos ourives, com a densa e variada multidão da freguesia que lhes perscruta os escaparates: damas elegantes e desdenhosas; casais de namorados devaneando sobre a posse daqueles tesouros; campónias poupadas que forraram o dinheiro para comprar um par de brincos, ou um cordão, e andam com a família toda (e o noivo) horas sucessivas a examinar, a ajustar…

Por fim, formando bairro à parte, as barracas de «comes e bebes» com toques de guitarra e figurões congestionados que deitam  a cabeça de fora para vomitar vinho tinto…

Depois, ao ar livre (como chega o espaço para tanta coisa!) a obra de castanho, feita em Monchique: mesas, cadeiras e arcas; os montes de frutas, os peros rescendentes, o cascalho de nozes, as pirâmides de romãs; e as louças de barro, de faiança, estendidas sobre o junco, luzindo ao sol a peculiar garridice dos seus esmaltes vidrados.

Formando também bairro distinto as barracas de bazares ou leilões, dos títeres, e aquela infalível – temerosa – das feras, que se por acaso se soltassem (pobres feras!) devoravam tudo, com constante e enorme concorrência de labregos pasmados e de embarcadiços de mãos dadas e andar balouçado.

E as surpresas e transes da corredoira, para quem se propõe escolher um burro sólido e veloz, que mate de inveja os companheiros de escola?

Mas excedendo tudo a feira de gado, com essa raça de bois vermelhos que no Algarve apuram até à perfeição extreme, e não tem rival no mundo.(…)

E por todos os lados, o povo, a agitação, o bulício, a poeira, o barulho, são tais que as mães estonteadas, cegas, esquecem os filhos que se perdem e desaparecem roubados pelos ciganos, diz a lenda que cito para pôr ponto à relação de tantos assombros…  pueris».

Manuel Teixeira Gomes, Carnaval Literário, 1939

Feira de São Martinho de Portimão

A feira de São Martinho de Portimão realiza-se há 353 anos. Em 1662, D. Afonso VI deferiu o pedido dos Oficiais da Câmara de Portimão para que se realizasse uma feira anual no dia 11 de Novembro.

ALVARÁ

Eu, el Rei, faço saber aos que este alvará virem que havendo respeito ao que pela petição atrás escrita, assinada por Jacinto Fagundes Bezerra meu escrivão de Câmara, me enviaram dizer os oficiais da Câmara de Vila Nova de Portimão sobre se fazer cada ano uma feira na dita vila por dia de São Martinho, e visto o que alegam e o que constou por informação que se houve pelo provedor da Comarca do Reino do Algarve, hei por bem e me apraz que daqui em diante se possa fazer na dita vila uma feira cada ano no dia referido como os suplicantes pedem, sem prejuízo de minha fazenda real, e este alvará se cumprirá como se nele contém e valerá posto que seu efeito haja de durar mais de um ano, sem embargo da ordenação do Livro 2º título 4º em contrário, e não pagou novos direitos por não ser feira franca como constou da certidão do escrivão Henrique Correia da Silva.  Vital Paes a fez em Lisboa a três de Outubro de mil seiscentos e sessenta e dois. Jacinto Fagundes Bezerra o fez escrever.

Rei.

ANTT, Chancelaria de D. Afonso VI, Liv. 25, fl. 82

Quem foi SÃO MARTINHO?

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São Martinho, c. 1490

Budapeste, Museu Nacional

S. Martinho nasceu na Panónia, actual território da Hungria, em 316. Filho de um oficial do exército romano, seguiu a carreira militar até que, com cerca de 40 anos de idade foi ao encontro de santo Hilário, bispo de Poitiers, que lhe conferiu ordens sacras e lhe deu a oportunidade de entrar na vida religiosa. Dez anos depois foi ordenado bispo de Tours.   Faleceu em 11 de Novembro de 397 e, durante muitos séculos, foi um dos santos mais populares da Europa.

Desde a Idade Média, o calendário  litúrgico, com  profundas raízes populares, constituía uma referência para o calendário civil nos países de tradição cristã. Embora actualmente o laicismo dos Estados justifique a exclusão de muitos feriados religiosos, ainda permanecem as tradições evocativas de festividades cristãs, por vezes associadas aos ciclos da Natureza cultuados pelos celtas. O dia de S. Martinho corresponde, justamente, ao fim do ciclo das colheitas e à transição do Verão para o Inverno. Esta coincidência deu origem a inúmeros provérbios e à realização de feiras anuais que, durante séculos,  desempenharam uma função económica, social e cultural importantíssima.

PROVÉRBIOS

Dia de S. Martinho, fura o teu pipinho.

Dia de S.Martinho, lume, castanhas e vinho.

No dia de S. Martinho abre-se a pipa e prova-se o vinho.

No dia de S. Martinho come-se castanhas e prova-se o vinho.

No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho.

Pelo S. Martinho, todo o mosto é bom vinho.

Pelo S. Martinho, mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.

Pelo S. Martinho engorda o teu porquinho.

Se queres pasmar teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.

ADIVINHA

Tem casca bem guardada

Ninguém lhe pode mexer

Sozinha ou acompanhada

Em Novembro nos vem ver

Exposição “As carrinhas de Portimão”

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Até 2010-01-03, o Museu de Portimão propõe uma viagem às memórias dos portimonenses, ao tempo dos veículos de tracção animal e meio de transporte colectivo de passageiros que antecederam o autocarro e o automóvel, com particular destaque para a carreira Portimão–Praia da Rocha.

A exposição pode ser visitada gratuitamente às terças-feiras, das 14h30 às 18h00, e de quarta-feira a domingo entre as 10h00 e as 18h00.

Já visitou o museu?

Sabia que, além de exposições temporárias, o museu apresenta exposições permanentes sobre  indústria conserveira, arqueologia e etnografia do município de Portimão?

12C

 

 

Os alunos de Antropologia do 12º C têm programadas visitas temáticas  que começaram a 13 de Outubro com uma visita à exposição As carrinhas de Portimão.