A República na cidade

Portimão, de vila a cidade

Vila por mais de quatro séculos, Portimão tornou-se cidade no final da 1ª República, durante o mandato presidencial de Manuel Teixeira Gomes. Foi exactamente em 11 de Dezembro de 1924 que foi promulgado o decreto de elevação a cidade. Foi também a 11 de Dezembro, do ano seguinte, que foi lido e aceite no Congresso da República o pedido de renúncia de Manuel Teixeira Gomes.

A vocação marítima de Portimão foi consolidada com o desenvolvimento da pesca, do comércio, da indústria de conservas de peixe e com o turismo. A complementaridade com a serra de Monchique foi, desde cedo, estimulada por privilégios dos monarcas quinhentistas respeitantes ao abate de castanheiros para a construção naval. Mais tarde, já no século XX, a população rural serrana desce para a vila marítima e alimenta com a sua força de trabalho a produção fabril e o boom turístico dos anos 60. O despovoamento da serra avoluma a população urbana.

O rio e o mar são, ainda hoje, os factores vitais para a afirmação de Portimão no contexto regional e internacional. Se no séc. XVI partiam marinheiros e mestres de navios para as Américas e para a Andaluzia, barcos carregados de peixe salgado e de frutos secos foram partindo para o Norte da Europa e para os portos do Mediterrâneo, estabelecendo nessas rotas a fisionomia deste porto seguro. Nos finais da monarquia o movimento intensificou-se com o estabelecimento de catalães e andaluzes dinamizadores da indústria conserveira e do comércio. A feição cosmopolita modernizou-se e moldou-se na relação com a Europa.

José Libânio Gomes

Manuel Teixeira Gomes, presidente da República

A família de Manuel Teixeira Gomes ilustra esse cosmopolitismo – seu avô combateu em França, seu pai foi cônsule da Bélgica, ele próprio viajou incessantemente em negócios para Norte – rentabilizando os laços tecidos pelo pai em França, na Holanda e na Bélgica – e, ociosamente, pelo Sul.

Durante a República, Vila Nova crescera e as infra-estruturas urbanas foram-se modernizando. O cais foi remodelado, construiu-se um mercado de peixe e um jardim, o sapal foi aterrado.   Além da canalização de água potável e da instalação de um gerador que permitia a iluminação pública de algumas zonas da vila (Central Eléctrica Valverde, 1918), construiram-se edificios públicos como o matadouro municipal (1913, onde hoje está instalado um polo da UALG), o mercado de frutas e hortaliças (1914, demolido recentemente) e a estação ferroviária (1915). No largo Visconde de Bivar (Praça Manuel Teixeira Gomes desde 1951), no palacete da Viscondessa de Alvor, instalaram-se duas casas comerciais emblemáticas  – Casa Havaneza e Casa Inglesa (1922) – e, em 1925, colocou-se no centro deste largo um  coreto onde se realizavam animados concertos pelas bandas locais.  

A Praia da Rocha logo nos primeiros anos do século XX era procurada como espaço de lazer pelas elites locais. Os touristes franceses, espanhóis e ingleses foram chegando e os melhoramentos urgiam. Em 1910 construi-se o Casino na Praia da Rocha onde se realizavam bailes, concertos, jogos, chás dançantes e, em 1915, aí teve lugar o I Congresso Regional Algarvio. Em 1927, segundo Raul Proença, a frequência anual média da Praia da Rocha era de 700 banhistas que se distribuiam por mais de 100 casas de aluguer e pelo Hotel Viola. Contudo, só na década de 30 os melhoramentos foram notórios com a modernização das vias públicas e da iluminação e com a construção de mais unidades hoteleiras.

A vida cultural da jovem cidade, durante a I República, era intensa. Sociedades recreativas, bandas filarmónicas, animatógrafo, casino, imprensa periódica. Desse tempo ainda subsistem alguns edificios e nomes de ruas das quais iremos dando conta neste blogue.

Estudos toponímicos II

Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Reino e de Portimão.

O laicismo do Estado não exclui as tradições católicas do calendário civil.

O dia 8 de Dezembro, feriado nacional em Portugal e local em várias cidades do Brasil, é o dia consagrado a Nossa Senhora da Conceição. Foi D. João IV que, nas cortes de Lisboa de 1646, declarou a Virgem Nossa Senhora da Conceição por padroeira do Reino de Portugal, como agradecimento pela restauração da independência de Portugal. Ordenou ainda que  os estudantes na Universidade de Coimbra, antes de tomarem algum grau, jurassem defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

Por todo o país e império muitas igrejas a adoptaram como padroeira, como a igreja matriz de Portimão e a respectiva freguesia.

A igreja de Nossa Senhora da Conceição é anterior a esta invocação. Foi erigida  no ponto mais elevado da povoação,  no interior das muralhas, por iniciaiva e a custas do então donatário de Vila Nova de Portimão – D. Gonçalo Vaz de Castelo Branco, em 1476.

Embora de raiz quatrocentista, a sua fisionomia foi alterada pelas sucessivas reconstruções, em particular após o terramoto de 1755 que muitos estragos provocou na vila. Da construção inicial resta a estrutura em cruz latina de três naves, o portal e duas pias de água benta em grés de Silves.

A capela-mor onde se encontra a imagem de Nossa Senhora da Conceição apresenta um retábulo em nogueira dourada muito original, da autoria do escultor algarvio Manuel Martins e datado de 1721.

Trata-se de um conjunto minuciosamente concebido e executado, composto por folhagens que envolvem arquivoltas e fustes salomónicos, polvilhado de anjinhos rechonchudos, atlantes, águias e mulheres ricamente vestidas e ornadas de grinaldas. Folhas de acanto, parras, cachos de uvas, evocam uma natureza mística, povoada de anjos prazenteiros em equilíbrio perfeito. No centro do conjunto, sobre pano azul-celeste, uma imagem da Padroeira sobre nuvem com cabecinhas de anjos.

 (Maria da Graça Mateus Ventura e Maria da Graça Maia Marques. Portimão. Editorial Presença, 1993, p. 26)

Do tempo da vila muralhada e da proeminência da igreja matriz subsistem topónimos que evocam a sua proximidade: rua da Igreja  e o Postigo da Igreja.

Exposição “As carrinhas de Portimão”

D11-4-A

Até 2010-01-03, o Museu de Portimão propõe uma viagem às memórias dos portimonenses, ao tempo dos veículos de tracção animal e meio de transporte colectivo de passageiros que antecederam o autocarro e o automóvel, com particular destaque para a carreira Portimão–Praia da Rocha.

A exposição pode ser visitada gratuitamente às terças-feiras, das 14h30 às 18h00, e de quarta-feira a domingo entre as 10h00 e as 18h00.

Já visitou o museu?

Sabia que, além de exposições temporárias, o museu apresenta exposições permanentes sobre  indústria conserveira, arqueologia e etnografia do município de Portimão?

12C

 

 

Os alunos de Antropologia do 12º C têm programadas visitas temáticas  que começaram a 13 de Outubro com uma visita à exposição As carrinhas de Portimão.