Corações Valentes

VALIANT HEARTS Video jogo sobre a I Guerra Mundial

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Um fantástico vídeo jogo sobre a I Grande Guerra, da Ubisoft Montellier, publicado em 25.06.2014, com a chancela da Mission Centenaire 14-18, comissão francesa responsável pelo programa comemorativo do Centenário.

Ligação – http://valianthearts.ubi.com

Este jogo inspirou-se em cartas de soldados da Primeira Grande Guerra e em numerosos documentos históricos.

Apesar de se tratar de uma ficção, o jogo baseia-se em acontecimentos reais tal como a batalha do Marne e a batalha do Somme na frente Ocidental.

Valiant Hearts é uma história de destinos cruzados e de um amor partido num mundo destroçado. Todos os personagens tentarão sobreviver ao horror das trincheiras seguindo 0 seu fiel companheiro canino. As suas vidas irão unir-se de forma indissociável no decorrer do jogo. Amizade, amor, sacrifícios e tragédias recairão sobre cada um deles enquanto se ajudam uns aos outros a preservar a sua natureza humana face aos horrores da guerra.

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Um cão é o fiel companheiro que acompanha os personagens nas suas aventuras. Sabia que milhares de cães serviram na 1ª Guerra? Usados como mensageiros, eles levavam ordens para a frente de combate em cápsulas presas ao corpo. Os cães também era usados como guardas e carregadores de munição e armamento.

 

Para visitar o trailer do jogo e conhecer factos curiosos sobre a I Guerra, clique na ligação http://valianthearts.ubi.com

 

 

 

Cronologia da guerra nas colónias africanas

A 5 de agosto de 1914 toda a Europa estava em Guerra. No dia 2 desse mês, em Portugal começaram-se a fazer sentir os efeitos psicológicos da guerra: a moeda de prata desapareceu de circulação, as mercadorias subiram de preço e deu-se uma corrida aos bancos para levantar o dinheiro.

A par do pânico da população, o Governo não sabia o que fazer.
No dia 7 de agosto, o Governo de Bernardino Machado levou ao Congresso da República uma declaração sobre a política externa a seguir, face à emergência da guerra. Esta declaração reafirmava a tradicional aliança com a Inglaterra sem declarar guerra à Alemanha.

N456_0001_branca_t0Porém, apenas cinco dias depois, Portugal organiza uma expedição militar com destino a Angola e Moçambique, começando, desta forma, a combater não na Europa, mas em África, isto é, a posição de Portugal na Primeira Guerra Mundial não se podia separar da defesa das colónias ultramarinas, já que as ambições da Alemanha sobre estas eram bastante grandes.

Assim, numa primeira etapa, Portugal participou, militarmente, na guerra com o envio de tropas para a defesa das colónias ameaçadas pela Alemanha. Face a este perigo e sem declaração de guerra, o Governo português enviou contingentes militares para África.

in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-01-24 15:11:13]. disponível em http://www.infopedia.pt/$portugal-e-a-primeira-guerra-mundial

Cronologia da guerra em África – 1914

Fonte: http://www.arqnet.pt/portal/portugal/grandeguerra/pgmafrica.html

18 de Agosto É decidida a organização de uma expedição militar com destino a Angola e a Moçambique.
25 de Agosto Em Moçambique dá-se o primeiro incidente de fronteira, com o ataque alemão ao posto fronteiriço de Maziúa, na fronteira do Rovuma, tendo sido morto o chefe do posto e sendo incendiado o posto e as palhotas vizinhas.
11 de Setembro Partida de Lisboa de uma expedição militar, comandada pelo tenente-coronel Alves Roçadas, com destino a Angola.
Partida do corpo expedicionário para Moçambique, comandado pelo tenente-coronel Massano de Amorim.
1 de Outubro As forças expedicionárias do comando de Alves Roçadas desembarcam em Moçâmedes, no Sul de Angola. A força era composta de 1 batalhão de infantaria, 1 pelotão de metralhadoras, 1 bateria de artilharia e 1 esquadrão de cavalaria.
19 de Outubro Incidente de fronteira em Naulila, no sul de Angola. São mortos três alemães, parte de uma missão, que tinha entrado na província sem autorização, e acampado na margem esquerda do Cunene, mas já no território da província.
22 de Outubro As forças expedicionárias de Alves Roçadas e forças provinciais acabam a sua concentração em Lubango, no planalto de Moçâmedes, preparando a defesa do sul de Angola contra quaisquer investidas de tropas vinda da África Alemã do Sudoeste.
30 de Outubro Massacre de Cuangar. O posto português de Cuangar, na margem esquerda do rio Cubango, no Sul de Angola, é atacado por alemães armados de metralhadoras. São mortos dois oficiais, um sargento, cinco soldados europeus e treze africanos, o comerciante Sousa Machado e uma mulher, num total de 22 pessoas.
31 de Outubro Alves Roçadas determina a organização das chamadas Forças em operações ao Sul de Angola, com as forças expedicionárias e forças da província.
1 de Novembro A primeira expedição portuguesa para Moçambique desembarca em Porto Amélia, no norte da colónia. Era composta por 1 batalhão, 1 bateria e 1 esquadrão.
2 de Novembro Uma tentativa de desembarque de forças militares britânicas, vindas da Índia, em Tanga, no norte da África Oriental Alemã, é repelida, sofrendo a força invasora pesadas baixas.
5 de Novembro Forças militares de reforço da guarnição portuguesa em Angola partem de Lisboa, comandadas pelo capitão-tenente Coriolano da Costa, devido aos incidentes acontecidos com tropas alemãs na fronteira.
12 e 13 de Dezembro Encontros entre patrulhas portuguesas e alemãs, no Sul de Angola, com  troca de tiros.
17 de Dezembro Forças alemãs, sob o comando do major Frank, acampam nas margens do Cunene.
18 de Dezembro Combate de Naulila. As forças alemãs atacam as portuguesas obrigando-as a retirar, em direção a Humbe, no Sul de Angola. Morrem 3 oficiais e 66 sargentos e soldados.
19 de Dezembro As forças portuguesas abandonam Humbe, depois do paiol do Forte Roçadas ter explodido. Retiram mais para norte, para Gambos, com intenção de defender Lubango, no Sul de Angola.
Motivados pelos combates entre forças europeias, as populações africanas da Huíla, no Sul de Angola, revoltam-se. São dirigidas pelo soba Mandume, da terra Cuanhama.

 

 

A guerra nas colónias portuguesas em África

O Zé, 8.8.1914 "Eu não tenho armas!? ... Para combater os alemães tenho as de ... S. Francisco"

O Zé, 8.8.1914
“Eu não tenho armas!? … Para combater os alemães tenho as de … S. Francisco”

 

Em 1914, com exceção da Etiópia, da Libéria e da União Sul Africana, que eram independentes, da Líbia e de Marrocos que não tinham sido ainda “formalmente conquistados”, o resto do continente africano encontrava-se ocupado e dividido entre o Reino Unido, França, Portugal, Alemanha, Espanha, Itália e Bélgica.

A Grã-Bretanha detinha o maior império em África, controlando cerca de 4/5 do comércio na região a Sul do Sahara. A Alemanha, por sua vez, dando continuidade à política iniciada por Bismark no final do século XIX, detinha um pequeno império, mas estrategicamente posicionado, estendendo-se de Madagáscar até à entrada do Mar Vermelho. Ambos os impérios faziam fronteira com territórios sob administração portuguesa, cujo domínio tinham começado a disputar no palco internacional.

"As possessões portuguesas da África, e as alemãs, belgas e inglesas que confinam com elas. É de todo o ponto interessante a publicação do presente mapa, pelo qual os nossos leitores podem apreciar a situação das nossas colónias na África em relação aquelas com que confinam - alemãs, belgas e inglesas. Um simples golpe de vista sobre este mapa, quando se tenha a noção exacta da gravidade do momento actual, dá a ideia precisa da altíssima missão confiada às tropas espedicionárias que partiram em 11 do corrente" . Ilustração Portuguesa, nº 447, de 14 de Setembro de 1914; pág.348 - Hemeroteca Digital

“As possessões portuguesas da África, e as alemãs, belgas e inglesas que confinam com elas. É de todo o ponto interessante a publicação do presente mapa, pelo qual os nossos leitores podem apreciar a situação das nossas colónias na África em relação aquelas com que confinam – alemãs, belgas e inglesas. Um simples golpe de vista sobre este mapa, quando se tenha a noção exacta da gravidade do momento actual, dá a ideia precisa da altíssima missão confiada às tropas espedicionárias que partiram em 11 do corrente” . Ilustração Portuguesa, nº 447, de 14 de Setembro de 1914; pág.348 – Hemeroteca Digital

A posição geoestratégica dos territórios portugueses em África, aliada à dimensão periférica, económica e financeiramente frágil da metrópole, suscitou, logo a seguir ao assassinato de Sarajevo, a imediata e particular atenção da República portuguesa.

A 21 de Agosto de 1914, o Presidente do Ministério, Bernardino Machado, decretou a organização e o envio de dois destacamentos mistos (artilharia de montanha, cavalaria, infantaria e metralhadoras) com destino a Angola e Moçambique.

Entre 1914 e 1918 Portugal mobilizou cerca de 30 000 homens para combater em Angola e em Moçambique. Grande parte dos militares que integraram estas expedições chegaram a África já doentes, incapazes de resistir às terríveis condições de higiene vividas durante a viagem.

http://www.portugal1914.org/portal/pt/escolas-historia

 

O República, de 14 de setembro de 1914, prevê vitória rápida dos franceses…

Dois dias após após a 1ª batalha do Marne, que obrigou os alemães a recuar,  a imprensa portuguesa prevê a vitória rápida do exército francês.

Puro engano, estava a começar a fase mais dramática do conflito na Europa – a guerra das trincheiras.

Republica, 14.09.1914 "O exército francês a caminho da vitória!"

Republica, 14.09.1914
“O exército francês a caminho da vitória!”

Os chefes de Estado das Nações em Guerra

O Thalassa, jornal humorístico e de caricaturas, fez capa, em 10 de setembro de 1914, com os chefes de Estado das nações em guerra: Alberto I, rei da Bélgica; Nicolau II, imperador da Rússia, Jorge V, rei da Grã-Bretanha; Pedro I, rei da Sérvia; Raymond Poincaré, presidente da França; Guilherme II, imperador da Alemanha; Francisco José, imperador da Áustria-Hungria.

Curiosamente, os monarcas Jorge V, Guilherme II e Nicolau II era netos da rainha Vitória, logo, primos. Os laços de parentesco, comuns nas monarquias europeias, não impediram que se degladiassem numa guerra sangrenta.

O Talassa, nº 77, 10.09.1914.

O Talassa, nº 77, 10.09.1914.

A Primeira Grande Guerra – o tempo, o espaço e os protagonistas

C. R. W. Nevinson, Returning to the tranches (regresso às trancheiras), 1915

C. R. W. Nevinson, Returning to the tranches (regresso às trancheiras), 1915

Entre 28 de Julho de 1914 e 11 de Novembro de 1918, a Europa envolveu-se numa guerra que atingiu dimensões inauditas.

Vamos relembrar esse facto histórico que marcou a história da Europa e a memória coletiva.

Comecemos com a definição das balizas temporais e espaciais e com a identificação das alianças político-militares em campo.

cronologia da guerra

mapa Europa 1914

alianças politico-militares