Boas Festas

Quem disse que a tradição é inimiga da modernidade?

Presépio tradicional do Algarve

No Algarve  e na Madeira o nascimento de Jesus é representado, tradicionalmente,  de uma forma muito singela.

Um menino vestido num altar piramidal, laranjinhas e searinhas.

Esta tradição coexiste com um presépio integrado numa paisagem rural ou, nos Açores,  com representações miniaturais de cenas da vida rural ou aldeã.

 

 

Presépio de altar tradicional da Madeira Presépio tradicional dos Açores

Presépio tradicional dos Açores

A representação do presépio centra-se na Sagrada Família, mas inclui um número variado de outras figuras associadas à tradição bíblica – pastores, animais domésticos, reis magos. Claro que os anjos e as estrelas, fazendo parte do universo celestial, entram, por vezes, neste cenário.

E nós, que vivemos num mundo urbano, já não temos espaço para armar um presépio com musgo, cortiça, lagos de prata com cisnes, caminhos de areia, azevinho com bagas vermelhas, searinhas. Menino Jesus de pé (já crescidinho) com um vestido de brocado ou de linho bordado, num cimo de um altar, seria muito mais fácil de armar. A verdade é que, levados pelo consumismo, preterimos a tradição a favor de uma modernidade ostentatória e fingimos que somos reis magos ricos por um dia.

Agora imaginem que S. José tinha um portátil com internet…  

http://www.youtube.com/watch?v=tgtnNc1Zplc

BOAS FESTAS!

Visita à escola Teixeira Gomes em Béjaia (Argélia)

École Fondamental Manuel Teixeira Gomes

No passado dia 9 de Maio realizou-se uma visita à escola argelina Teixeira Gomes por dois professores da ESMTG: o director, Prof. Telmo Soares, e a Prof.ª Maria da Graça Ventura.

Da esquerda para a direita: Prof. Djamil Aissani, Mme Benabdelak, Prof. Telmo Soares, Pres. Câmara de Béjaia, M. Bachi e Prof.ª Graça Ventura

Fomos efusivamente recebidos, com rigoroso protocolo, pela directora Mme Benabdelak, professores, alunos e funcionários, presidente da Câmara da cidade de Béjaia e outras entidades oficiais.

Mme Benabdelak guiou-nos numa visita à escola, considerada a mais moderna da região (inaugurada em 2005).

Escola laica, claro, sem constrangimentos de ordem política ou religiosa. Alunos polidos, simpáticos e disciplinados.  Professores e funcionários afáveis e calorosos.

 A independência recente (50 anos) justifica  o cunho patriótico das escolas públicas, expresso no ritual matinal de entoação do hino nacional e saudação colectiva à bandeira hasteada no pátio da escola.

No dia da nossa visita, no átrio da escola CEM7 (equivalente ao 3º ciclo do ensino básico), foram hasteadas, lado a lado, as bandeiras nacionais de Portugal e da Argélia.

Escolheram Manuel Teixeira Gomes como patrono porque o adoptaram como cidadão democrata que amou a cidade de Béjaia onde viveu dez anos, onde faleceu com 81 anos e onde foi sepultado.

Mme Benabdelak e M. Telmo Soares

Da irmandade entre as duas cidades e as duas escolas, nasceu um projecto de cooperação que se anunciava gratificante para ambas as partes, mobilizadas pela premência de um diálogo intercultural que promovesse a reaproximação entre os povos do Mediterrâneo.

Béjaia, cidade onde Manuel Teixeira Gomes faleceu

Manuel Teixeira Gomes renunciou à Presidência da República portuguesa em 11 de Dezembro de 1925. 

Vista de Béjaia, da antiga praça Gueydon.

No dia 17 desse mês partiu, a bordo do cargueiro Zeus, para umas férias no Mediterrâneo.
Nunca mais voltou a Portugal. 

Revisitou Marrocos, Argélia, Tunísia, Itália, França. Em Setembro de 1931 chegou a Bougie, cidade antiga que manteve este nome durante a ocupação francesa , mudando-o para Béjaia após a independência. 

O velho hotel onde Manuel Teixeira Gomes faleceu em 18 de Outubro de 1941

Em Bougie / Béjaia permaneceu no quarto nº 13 do Hotel  Étoile até à sua morte em 1941. 

 

 

MGMV

Portimão no alvor do século XX

O porto de Portimão, desde o século XVI, destacou-se como o mais seguro do Algarve. Daqui saíam madeiras, cortiça, laranjas e conservas de peixe até meados do século XX.

Na segunda metado do século os tempos mudaram. Deixou-se de produzir peixe em conserva, as árvores tradicionais mediterrânicas foram substituídas por eucaliptos, a cortiça escasseia. O movimento portuário, hoje, está associado ao lazer. 

Já ninguém se recorda desta imagem que representa o movimento quotidinao no porto de Portimão.

E o comérc io em Vila Nova de Portimão? Nos tempos da I República, multiplicavam-se sapatarias, chapelarias, drogarias onde se compravam todas as novidades que vinham a bordo dos navios de Lisboa, de Espanha ou do Norte da Europa. 

Será que Manuel Teixeira Gomes comprava os seus chapeús na Chapelaria Henrique Biker de Gusmão, na Rua 5 de Outubro?

370 anos depois…

Hispania Antiqua in tres praecipus partes... 1750. David Rumsey map collection

Celebramos hoje a restauração da independência levada cabo por um grupo de conjurados em Lisboa, há 370 anos. Os sessenta anos de união ibérica haviam estimulado um sentimento patriótico que levaria o povo português a voltar costas a Castela, recusando ser castelhano. Séculos depois, atenuou-se o sentimento anti-castelhano e hoje, parceiros na UE,  alargamos as nossas cumplicidades.

José Saramago casou com Pilar del Río, escrevia em português e, logo, ela traduzia para castelhano. Foi, porventura, o português mais espanhol (no sentido quinhentista, quando Hispânia mantinha ainda uma semântica latina) de sempre.

Quer saber o que pensam de nós os espanhóis? Clique nesta ligação:

Portugal visto pelos espanhóis: http://www.youtube.com/watch?v=_E6TZE-WYVA