A República na cidade

     

 A história da minha rua

 

Rua Santa Isabel, antiga Rua Cândido dos Reis

 

Em Portimão existem muitas ruas com nomes de republicanos, a maioria viu os seus nomes mudados pelo Estado Novo, como a rua Cândido dos Reis.           

 Cândido dos Reis foi um defensor dos novos ideais republicanos, que nos chegavam a partir da Revolução Francesa e do Liberalismo. O Almirante Cândido dos Reis esteve na origem da revolução de 5 de Outubro de 1910. Foi um dos cabecilhas da operação, o que se revelou essencial, pois ter um militar de tal experiência na organização das manobras revolucionárias é fulcral.

Cândido dos Reis foi uma pessoa desde cedo relacionada com as Forças armadas Portuguesas. Participou na Marinha e chegou ao cargo de Almirante. Desde cedo o seu carácter se revelou de um verdadeiro líder, confiante, dedicado, responsável e, por isso, rapidamente se destacou de entre as tropas e alcançou posição de destaque entre os oficiais, o que era de admirar tendo em conta os seus ideais republicanos, num regime monárquico.

 Na noite de 4 de Outubro tendo já tudo preparado e iniciado as operações, Cândido dos Reis suicidou-se julgando que a operação tinha falhado. Não foi o único republicano a suicidar-se nessa noite, por motivos semelhantes. Após a sua morte, e com o triunfo dos republicanos, Cândido dos Reis torna-se um mártir republicano e dá nome a muitas ruas e avenidas por todo o país, num esforço das autarquias de republicanizar as massas.

Uma dessas ruas e avenidas com o nome deste mártir foi a antiga rua dos Arcos, em plena Vila Nova de Portimão, uma das ruas mais históricas da vila, perto de um dos mais influentes pólos de atracção na vila,  o porto e as fábricas.

 Esta rua teve uma grande importância  para a população local, pois era uma das ruas onde se praticava mais comércio e do mais importante, nos anos 20. Na imprensa local da época encontramos muitos anúncios de carácter comercial. Nesta rua instalou-se uma empresa autárquica de penhora de bens onde as populações quando necessitadas de dinheiro iam trocar quaisquer objectos que tivessem em sua posse. Uma das mais importantes sapatarias da jovem cidade, a Sapataria Andrade, de Amadeu Figueira de Andrade, vendia calçado de luxo para homens, mulheres e crianças. Essa mesma sapataria ia buscar calçado directamente de Inglaterra, pois quando ainda não existia futebol profissional em Portugal, já essa sapataria vendia botas de “Foot-ball”.

 

Na Rua Cândido dos Reis encontrava-se também  um dos mais conceituados antiquários e relojoeiros da cidade, que ainda hoje mantém actividade, prova do seu sucesso e fidelidade dos clientes; no início da rua ainda hoje se encontra um quiosque junto ao Jardim Bivar.

 Esta rua também acolheu um “Prestamista”, João Rosa da Conceição, casa de empréstimos sobre penhores e ourivesaria. Neste estabelecimento, emprestava-se dinheiro a troco de ouro, prata, brilhantes, máquinas de costura, mobílias, louças, roupas e tudo o que tivesse garantia. Este estabelecimento tinha também um enorme sortido de artigos de ourivesaria que comprava pelos melhores preços do mercado e revendia.

 Todas estas informações estão registadas no jornal da época Comércio de Portimão datado de 11 e 18 de Julho de 1926.  

 Este trabalho serviu para essencialmente conhecer a minha rua, hoje chamada de Rua Santa Isabel, por alteração do Estado Novo. Esta rua revelou-se muito activa e  comercialmente importante. Revelou-se também um dos pólos mais poderosos da Vila Nova de Portimão.

 Após o 25 de Abril de 1974 outra rua, situada junto ao antigo Sapal, foi baptizada com o nome do republicano Cândido dos Reis.

 Ruben dos Santos, 12ºC, e Soraia Marçal, 11ºH

Uma figueira para Manuel Teixeira Gomes

Figos lampos no jardim da ESMTG

 

As comemorações do 150º aniversário de Manuel Teixeira Gomes tiveram inicio oficial na ESMTG no passado dia 19 de Março.

Os alunos de Antropologia (12ºC) assinalaram esse dia plantando uma figueira de figos lampos para o nosso patrono.

Junto à figueira colocámos uma placa com um excerto de uma carta de Manuel Teixeira onde manifestava o seu apreço por esta fruta típica da sua terra natal:

Uma coisa faço eu agora, impunemente, que há quase meio século me era vedada: comer fruta verde. E como ela é variada, abundante e saborosa, aqui em Florença! Estes últimos dias, tenho-me refastelado a cada almoço, numa pirâmide colossal de figos lampos, enfeitada de cerejas e albricoques, de que eu havia perdido completamente o gosto, já resignado a limitar a apreciação dessas frutas aos quadros de ”natureza morta”.

Manuel Teixeira Gomes Cartas a Columbano. 1932