Uma descoberta inesperada e fascinante

         

Conhecem a sensação de quando nós, comuns mortais, chegamos no “fuso do destino” a uma situação que se mostrava incerta e enevoada? Pois foi pois justamente isso que me aconteceu no passado domingo.

Minha mãe pediu-me para ir com ela levantar o cabaz de Natal ao Parque de Feiras e Exposições e eu fui tranquilo. Levantado e arrumado o cabaz no carro, ficámos à espera de uma amiga de minha mãe com encontro marcado e que aparentemente se atrasara. Naquele frio dia de domingo decorria a feira das velharias no aclamado parque e minha mãe já gelava enquanto esperávamos pela sua amiga. Nesta pausa surgem dois rapazes a transportar uma bicicleta clássica e monumental; recordo com súbita clarividência a professora a aclamar a raridade de tais bicicletas e a importância e a necessidade de termos uma no final do ano para que todo o nosso projecto comum se realizasse no seu total esplendor. Disse de súbito: _ Mãe, olha! uma bicicleta como nós precisamos!-, e interpelei de imediato os tais rapazes. Dois moços de etnia cigana que calmamente partiam para a feira de velharias para a vender a algum sujeito; claro que na minha cabeça esse sujeito só podia ser eu, nem admitia outra resolução! Troquei breves palavras com os moços, as palavras que normalmente se enunciam neste tipo de preparos, Quanto custa?, 50 euros disse o rapaz mais velho, hum, 50 euros é muito caro, disse eu, dou-te 25 por ela. De imediato o preço baixou para 30, a velha regateirice que se adopta nestas situações entrou em funcionamento. Mesmo assim não trazia essa quantia comigo e amaldiçoei o facto de não ter o número da professora Graça Ventura, para saber o passo seguinte, pois sou modesto e iniciado neste tipo de negócios. Então fiz o que qualquer jovem faria, fui falar com a minha mãe e fiz que ela passasse por professora Graça aos olhos dos rapazes. Ela disse-me para pedir-lhes o contacto telefónico e depois logo se falava com o real professora Graça. Eu concordei e tratei do assunto.

 Neste fogo de ansiedade passei sem saber se tinham vendido a rara bicicleta, ou o que a professora tinha feito, visto que em mais de 24 horas não me apareceu uma resposta.

 Pelas 11 horas da noite de segunda-feira vem a bendita resposta. Falara com os rapazes e iria encontrar-se com eles no dia seguinte (terça-feira, portanto) e convidava-me para a acompanhar. Acedi rapidamente ao pedido e a resposta foi breve, a que horas e onde?, e deste modo se combinou o que seria a nossa aventura antropológica rentável do ponto de vista histórico, antropológico e social, visto que poderíamos ter a nossa ansiada bicicleta, teríamos também acesso a uma comunidade cigana e poderíamos observar em primeira mão o seu modo de viver, e também porque resgatávamos uma rara preciosidade das mãos da ociosidade e do desmazelo. Só poderia ser algo de bom.

Acordei cedo e despachei-me para o nosso encontro matinal antes da aventura. Rapidamente nos encontrámos e partimos para a Companheira, em busca de um sítio vagamente chamado Conduril,  lugar de pessoas onde vivem, afinal, alguns trabalhadores africanos desenraizados. As barracas dos ciganos foram algo difícil de encontrar visto que o sítio onde vivem não  tinha nome, ou se o tinha era algo obsoleto e sem uso verbal há largos anos. Encontrámos um senhor pelo caminho que sabia, assim por alto, onde eles viviam, e como os ciganos nos tinham dado o nome errado do local, o senhor foi induzido em erro e conduziu-nos para o antigo estaleiro da Conduril, ou melhor, nós conduzimo-lo porque lhe demos boleia uma vez que estava a chover. Afinal não era lá que viviam os ciganos, mas um pouco mais adiante. O homem ficou surpreendido por nós termos marcado encontro com os ciganos e perguntou-nos se eles nos tinham roubado algo.  Não, tratava-se apenas de um pequeno negócio. Aí a surpresa do homem ainda foi maior. Sem  mais explicações lá nos metemos de novo no carro

Continuámos pela estrada fora e encontrámos o local onde os ciganos viviam. Já todos esperavam a nossa chegada, visto que estavam todos reunidos na rua, apesar de chover e a bicicleta estava no meio da família, como se de uma despedida se tratasse. Conversámos um pouco, a professora conseguiu admirar a bicicleta, mas não a achou tão deslumbrante como eu, na sua opinião não era tão clássica como se queria. Ao comunicar isto aos presentes e com um meio sorriso no rosto, a família cigana respondeu com um sorriso cheio, Mas temos ali outra bicicleta ainda mais antiga do que essa, e nós os dois arregalámos os olhos, Outra? pode trazê-la? E lá veio a bicicleta e esta sim era realmente clássica, do tempo do nosso conterrâneo Manuel Teixeira Gomes.

Recomeçou a chover com menos brandura e convidaram-nos para dentro da sua barraca e aí verificámos que o que se diz por aí sobre os ciganos não é para levar  tão a sério como o dizem. Uma barraca sim, no meio do campo sim, sem água canalizada sim, mas completamente limpa e ordenada, uma imensidão de tachos todos a brilhar, o chão todo limpo, tudo arrumado e bem organizado. Claro que na altura não podia mostrar a minha admiração e espanto por tal situação, portanto aproveito para o deixar aqui. Nós, jovens da cidades, somos levados a ser preconceituosos relativamente aos ciganos por isso nunca pensei que a realidade fosse esta. Nas aulas de antropologia aprendemos  a não ser etnocêntricos e eu tomei isso tão à letra que quando comuniquei à professora a descoberta da bicicleta referi-me a «rapazes» e não a ciganos o que suscitou um diálogo divertido entre ela e a mãe deles, por telefone. Desde cedo os adultos impõem o preconceito cultural em relação aos ciganos considerando-os maus, mentirosos e ladrões. Se um filho diz à sua mãe que é amigo de um cigano é logo motivo de castigo e repreensões; porém ali não vi maldade, nem roubo, apenas uma família que queria fazer uma pequena transacção com umas pessoas.

Ali naquele conjunto de barracas vivia uma família polida, a senhora Maria, com um dente de ouro, era muito gentil. Um dos seus filhos estava numa cadeira de rodas devido a uma doença que teve aos doze anos, mas todos pareciam viver harmoniosamente.  Os rapazes que eram donos da bicicleta não se queriam libertar das bicicletas do avô, mas parece que a mãe os convenceu a vendê-las pois já de nada servia para eles e com o dineheiro poderiam comprar uma nova.

A professora Graça fez um telefonema para o Director da escola e perguntou se aceitava as duas bicicletas pelo valor de 90 euros pois ambas nos iriam servir no nosso projecto. O director acedeu e preparámos a viagem para a escola, sendo que os ciganos levavam na sua carrinha as duas preciosidades e na escola se trataria do pagamento aos senhores.

E assim se fez a curta viagem para a escola onde todos admiraram as bicicletas como ícones do tempo antigo e um resgate bem executado com modéstia e a arte oratória da professora Graça, e também com o dinheiro da escola que entrou em jogo para este resgate.

O professor Telmo, director da escola, estava um pouco inseguro em relação ao valor das bicicletas, mas as premissas da professora Graça eram inabaláveis e a conclusão foi a inevitável cedência do professor Telmo. Fez-se o pagamento e os senhores abalaram.

Arrumámos as bicicletas nas oficinas da escola na expectativa de as mesmas serem recuperadas pelos professores de Mecânica a tempo de surpreendermos a cidade e a comunidade escolar no programa de comemorações do nascimento do nosso patrono e dos 100 anos da República.

E assim nestes moldes se desenhou a nossa aventura pelos subúrbios da cidade, onde ainda nos esperam, talvez, algumas caixas de surpresas como esta que acabo de relatar.

Ruben dos Santos, 12º C

Alegrem-se os céus e a Terra

Presépio tradicional armado pelos alunos de Antropologia do 12º C

 Os alunos de Antropologia, alguns dos quais são membros do Clube, «armaram» um presépio tradicional na escola. Trouxeram os materiais – cortiça, musgo, terra, searinhas, arbustos da época e figurinhas de barro. Finalmente foi colocada uma lamparina de azeite para iluminar o Menino.

Desejando a todos um Feliz Natal, deixamo-vos aqui uma fotografia do nosso presépio e um cântico tradicional.

Os cantos natalícios eram muito populares na serra algarvia.

Um dos mais conhecidos, recolhido pelo Padre José da Cunha Duarte em 1984 na Serra de Monchique e no interior do Sotavento, é assim:

Alegrem-se os céus e a Terra

Coro

Alegrem-se os céus e a terra,

Cantemos com alegria;

Que nasceu o Deus Menino,

Filho  da Virgem Maria.

1

Ó meu Menino Jesus,

Ó meu Menino tão belo;

Onde havias de nascer,

Na noite do caramelo.

2

Ó meu Menino Jesus,

A vossa capela cheira;

Cheira a cravo, cheira a rosa,

À felor de laranjeira.

3

Sua mãe  estava a pedir;

Sua mãe estava a dizer:

Não tenho cama, nem berço,

Nos braços te criarei.

4

Entrai, pastores, entrai,

Por esse portal sagrado;

Vinde adorar o Menino,

Numas palhinhas deitado.

5

Entrai, pastores, entrai,

Por esse portal adentro;

Vinde adorar o Menino,

O divino sacramento.

Padre José da Cunha Duarte. Natal no Algarve: raízes medievais. Lisboa: Edições Colibri, 2002, p. 131

Visita ao Centro de Documentação

Visita de trabalho ao Centro de Documentação e Arquivo histórico do Museu Municipal de Portimão

Hoje, dia 16 de Dezembro, a maioria dos membros do Clube de História foi conhecer de perto as fontes para a história local.

Fomos recebidos pela Dra Isabel Soares que explicou aos alunos como fazer uma pesquisa no Centro de Documentação. Apresentou-nos os catálogos, as obras de referência e os estudos regionais. 

Membros do Clube com Dra Isabel Soares

Descobrir a história pode ser muito divertido...

 Os alunos familiarizaram-se com os instrumentos de pesquisa e calçaram as luvas para folhearem os manuscritos e os jornais antigos. A D. Aurora, assistente do arquivo ensinou os alunos a usarem o leitor de microfilmes que permitirá a leitura dos jornais locais que se encontram na Biblioteca Nacional.

Ruben, Daniela e Catarina manuseando o Registo de amas dos expostos

O entusiasmo foi grande para iniciar os trabalhos de pesquisa sobre a I República em Portimão.

Em breve iremos de férias. Voltaremos ao Arquivo em 2010, ano do Centenário da República.

A República na cidade

Portimão, de vila a cidade

Vila por mais de quatro séculos, Portimão tornou-se cidade no final da 1ª República, durante o mandato presidencial de Manuel Teixeira Gomes. Foi exactamente em 11 de Dezembro de 1924 que foi promulgado o decreto de elevação a cidade. Foi também a 11 de Dezembro, do ano seguinte, que foi lido e aceite no Congresso da República o pedido de renúncia de Manuel Teixeira Gomes.

A vocação marítima de Portimão foi consolidada com o desenvolvimento da pesca, do comércio, da indústria de conservas de peixe e com o turismo. A complementaridade com a serra de Monchique foi, desde cedo, estimulada por privilégios dos monarcas quinhentistas respeitantes ao abate de castanheiros para a construção naval. Mais tarde, já no século XX, a população rural serrana desce para a vila marítima e alimenta com a sua força de trabalho a produção fabril e o boom turístico dos anos 60. O despovoamento da serra avoluma a população urbana.

O rio e o mar são, ainda hoje, os factores vitais para a afirmação de Portimão no contexto regional e internacional. Se no séc. XVI partiam marinheiros e mestres de navios para as Américas e para a Andaluzia, barcos carregados de peixe salgado e de frutos secos foram partindo para o Norte da Europa e para os portos do Mediterrâneo, estabelecendo nessas rotas a fisionomia deste porto seguro. Nos finais da monarquia o movimento intensificou-se com o estabelecimento de catalães e andaluzes dinamizadores da indústria conserveira e do comércio. A feição cosmopolita modernizou-se e moldou-se na relação com a Europa.

José Libânio Gomes

Manuel Teixeira Gomes, presidente da República

A família de Manuel Teixeira Gomes ilustra esse cosmopolitismo – seu avô combateu em França, seu pai foi cônsule da Bélgica, ele próprio viajou incessantemente em negócios para Norte – rentabilizando os laços tecidos pelo pai em França, na Holanda e na Bélgica – e, ociosamente, pelo Sul.

Durante a República, Vila Nova crescera e as infra-estruturas urbanas foram-se modernizando. O cais foi remodelado, construiu-se um mercado de peixe e um jardim, o sapal foi aterrado.   Além da canalização de água potável e da instalação de um gerador que permitia a iluminação pública de algumas zonas da vila (Central Eléctrica Valverde, 1918), construiram-se edificios públicos como o matadouro municipal (1913, onde hoje está instalado um polo da UALG), o mercado de frutas e hortaliças (1914, demolido recentemente) e a estação ferroviária (1915). No largo Visconde de Bivar (Praça Manuel Teixeira Gomes desde 1951), no palacete da Viscondessa de Alvor, instalaram-se duas casas comerciais emblemáticas  – Casa Havaneza e Casa Inglesa (1922) – e, em 1925, colocou-se no centro deste largo um  coreto onde se realizavam animados concertos pelas bandas locais.  

A Praia da Rocha logo nos primeiros anos do século XX era procurada como espaço de lazer pelas elites locais. Os touristes franceses, espanhóis e ingleses foram chegando e os melhoramentos urgiam. Em 1910 construi-se o Casino na Praia da Rocha onde se realizavam bailes, concertos, jogos, chás dançantes e, em 1915, aí teve lugar o I Congresso Regional Algarvio. Em 1927, segundo Raul Proença, a frequência anual média da Praia da Rocha era de 700 banhistas que se distribuiam por mais de 100 casas de aluguer e pelo Hotel Viola. Contudo, só na década de 30 os melhoramentos foram notórios com a modernização das vias públicas e da iluminação e com a construção de mais unidades hoteleiras.

A vida cultural da jovem cidade, durante a I República, era intensa. Sociedades recreativas, bandas filarmónicas, animatógrafo, casino, imprensa periódica. Desse tempo ainda subsistem alguns edificios e nomes de ruas das quais iremos dando conta neste blogue.

Estudos toponímicos II

Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Reino e de Portimão.

O laicismo do Estado não exclui as tradições católicas do calendário civil.

O dia 8 de Dezembro, feriado nacional em Portugal e local em várias cidades do Brasil, é o dia consagrado a Nossa Senhora da Conceição. Foi D. João IV que, nas cortes de Lisboa de 1646, declarou a Virgem Nossa Senhora da Conceição por padroeira do Reino de Portugal, como agradecimento pela restauração da independência de Portugal. Ordenou ainda que  os estudantes na Universidade de Coimbra, antes de tomarem algum grau, jurassem defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

Por todo o país e império muitas igrejas a adoptaram como padroeira, como a igreja matriz de Portimão e a respectiva freguesia.

A igreja de Nossa Senhora da Conceição é anterior a esta invocação. Foi erigida  no ponto mais elevado da povoação,  no interior das muralhas, por iniciaiva e a custas do então donatário de Vila Nova de Portimão – D. Gonçalo Vaz de Castelo Branco, em 1476.

Embora de raiz quatrocentista, a sua fisionomia foi alterada pelas sucessivas reconstruções, em particular após o terramoto de 1755 que muitos estragos provocou na vila. Da construção inicial resta a estrutura em cruz latina de três naves, o portal e duas pias de água benta em grés de Silves.

A capela-mor onde se encontra a imagem de Nossa Senhora da Conceição apresenta um retábulo em nogueira dourada muito original, da autoria do escultor algarvio Manuel Martins e datado de 1721.

Trata-se de um conjunto minuciosamente concebido e executado, composto por folhagens que envolvem arquivoltas e fustes salomónicos, polvilhado de anjinhos rechonchudos, atlantes, águias e mulheres ricamente vestidas e ornadas de grinaldas. Folhas de acanto, parras, cachos de uvas, evocam uma natureza mística, povoada de anjos prazenteiros em equilíbrio perfeito. No centro do conjunto, sobre pano azul-celeste, uma imagem da Padroeira sobre nuvem com cabecinhas de anjos.

 (Maria da Graça Mateus Ventura e Maria da Graça Maia Marques. Portimão. Editorial Presença, 1993, p. 26)

Do tempo da vila muralhada e da proeminência da igreja matriz subsistem topónimos que evocam a sua proximidade: rua da Igreja  e o Postigo da Igreja.

Estudos toponímicos I

Largo 1º de Dezembro

Durante a 1ª República Portimão cresceu e foi dotada de novas infra-estruturas.

Em 1915, os Paços do Concelho, acompanhando o laicismo do novo regime, passaram do Colégio dos jesuítas para um palacete aristocrático – a residência da família Sárrea Gárfias. Neste palacete foi também instalada uma escola oficial conhecida como a «escola régia».

O largo fronteiro foi baptizado de «Largo do Município» e, em 1931, foi ajardinado de acordo com o modelo romântico – bancos e painéis de azulejos historiados e iluminado com candeeiros art nouveau. Era um largo central na vida municipal onde se encontravam diferentes serviços como a delegação do Banco de Portugal, um hotel, cabeleireiros e lojas.

Ao fundo, na antiga Rua dos Quartéis, vivera um comerciante abastado – José Libânio Gomes, pai do presidente da República, Manuel Teixeira Gomes.

Em 1951, em pleno Estado Novo, a Câmara Municipal foi instalada no palacete do Visconde de Bivar.

Esta transferência justifica a mudança de designação do Largo do Município para Largo 1º de Dezembro, evocação  de um facto histórico enaltecido pelo regime – a restauração da independência de Portugal face à monarquia hispânica (1640).

O palácio Sárrea foi dotado de novos serviços: tribunal judicial, repartição de Finanças, Conservatória do Registo Civil e Predial, posto de turismo, biblioteca municipal e quartel da GNR.

Em 11 de Dezembro de 2008 o palácio recebeu um novo inquilino – o Teatro municipal de Portimão (TEMPO). O largo mantém o mesmo nome e o jardim aguarda uma urgente intervenção de reabilitação.

A propósito deste dia 1º de Dezembro não podemos deixar de lembrar que Fernando Pessoa, o poeta futurista, fez questão de publicar neste dia histórico,corria o ano de 1934,  a Mensagem, único livro editado em vida do autor maior da literatura portuguesa.

Dulce Catarino, 12º C