Alcalar, cultura megalítica

O modo de vida no Neolítico caracteriza-se pela sedentarização (permanente ou temporária), economia produtora, domesticação de animais, aldeamentos (habitações de madeira, colmo e adobe), técnicas artesanais relacionadas com a agricultura (armazenamento, transporte, alimentação, vestuário) e com a pecuária.  Sabe como se fazia uma habitação no Neolítico, há 8 ou 10 mil anos atrás?  Esta é uma das possibilidades…   

Monumentos Megalíticos de Alcalar 

Na freguesia da Mexilhoeira Grande, município de Portimão, encontram-se numerosos vestígios da Pré-História, sobretudo do Neolítico final e do Calcolítico (Idade do cobre).  Em Alcalar podemos visitar um monumento megalítico – tholos – integrado na tradição megalítica peninsular conhecida por numerosos menires, alinhamentos, cromeleques e antas que se encontram de Norte a Sul do Portugal.

Alcalar, Monumento nº 7, mamoa

 Junto ao lugarejo de Alcalar, a meio caminho entre os areais do Alvor e a Serra de Monchique, existiu outrora uma grande aldeia pré-histórica do 3º milénio a.C., da qual subsistem restos arruinados. Este lugar foi o centro hegemónico de um território habitado por comunidades camponesas dispersas em pequenos povoados, nas margens da Ria de Alvor, nas férteis terras interiores do Barrocal e nas vertentes meridionais da Serra de Monchique. 

 

Essa paisagem humanizada estendia-se pelo interior da orla marítima algarvia e era marcada pela ria flandriana do Alvor, antiga realidade fluvial e lagunar profundamente entalhada na Baía de Lagos, com enseadas interiores, outrora existentes em Odiáxere e na Penina, e com esteiros hoje assoreados mas correspondentes às actuais várzeas das ribeiras de Odiáxere, Arão, Farelo e Torre. Entre o 5º e o 2º milénios a.C., esse território oferecia uma ampla gama de recursos, aproveitados pelos grupos humanos que ali habitaram. O seu estudo geoarqueológico tem evidenciado um processo histórico de transformação económica e social, que autoriza fazer remontar ao 3º milénio a.C. a formação prístina do estado neste extremo sudoeste do espaço atlântico-mediterrânico.

  Os restos arruinados do Povoado Calcolítico de Alcalar estendem-se por uma área de aproximadamente 20 hectares. Em finais do Neolítico, numa fase de intensificação da ocupação desta parcela do territorio, datável de 3200 a 2800 a.C., localizam-se ambientes funerários dispersos na periferia desta grande aldeia pré-histórica. Um edifício tumular monumental com cripta dolménica poligonal e corredor alongado, conhecido como Monumento 1 de Alcalar e a necrópole de Monte Canelas, com pelo menos quatro hipogeus, criptas escavadas artificialmente na rocha e usadas como espaços de tumulação colectiva aparentemente desprovidos de monumentalidade edificada. Assinala-se ainda o uso funerário de cavidades naturais no Serro do Algarve (caverna da Mulher Morta ) e em Poio.  

Alcalar, monumento nº 7, interior da cripta durante a campanha de recuperação

No período Calcolítico, a partir de 2800 a.C., na envolvente imediata da grande aldeia e a uma cota inferior à do cabeço amesetado da sua acrópole, foram edificados, ao longo de várias gerações, cerca de duas dezenas de edifícios megalíticos e respectivas áreas cerimoniais conexas.  

Excerto do texto de Rui Parreira in http://www.cultalg.pt/alcalar/index.html?subpagina=alcalar3.html                  

 

Quentes e boas!

Castanha assada

feira de ptm

 

Actualmente a castanha  é muito popular nas cidades portuguesas e em todo o Mediterrâneo, até na longínqua Istambul.   Associada ao  Outono e ao S. Martinho, é apreciada sobretudo assada. Em fogareiros ou outras engenhocas transportadas em carrinhos de mão, vendidas em cartucho à dúzia, vêmo-las por toda a parte, adivinhamo-las pelo fumo e pelo cheiro.

 

 

Vendedores de castanhas na feira de S. Martinho, Portimão

 

Tempos houve em que a castanha e a bolota eram a base da alimentação popular até à generalização, no séc. XVIII, do consumo da batata (oriunda da América).

21_ourico_castanha%20judia_Pinela  castanha crua

O castanheiro, árvore de grande porte da família das fagáceas ou das castaneáceas, é considerado por muitos povos como um símbolo de perenidade e de fartura. O fruto do castanheiro, a castanha, eclode ao fim de 10 anos de vida da árvore, formando-se dentro de um ouriço que, ao eclodir, exibe um fruto brilhante constítuido por  duas capas, uma lustrosa e outra amargosa. Existem soutos de Norte a Sul do país, em zonas húmidas e sombrias como a serra de Monchique.

Em Portugal o dia 11 de Novembro é festejado com «magustos» de água pé  e castanhas. Festa colectiva, no espaço público, ou privada, o magusto pode estar associado à matança do porco ou à prova do vinho novo.

A feira de Portimão relembrada por Manuel Teixeira Gomes

Em 1939, em Bougie, Manuel Teixeira Gomes recorda a feira de Portimão quando ele tinha 13 ou 14 anos de idade

caisComo parecia aumentar a extensão do cais logo que a feira lá assentava! Tornava-se uma vastidão sem fim. Começava pela barulhenta rua dos sapateiros (cheia de penduricalhos, tresandando a curtidura) que eu mal percebia que coubesse ali; depois a rua igualmente longa dos paneiros, porém, mais repousada, quase silenciosa, embora fosse raro o momento em que eles não trabalhassem, medindo às varas os sorianos apetecidos pelos lapuzes friorentos; depois a rua dos tendeiros, exposição das maravilhas que as crianças ambicionam para os seus paraísos domésticos: pélas multicores; tirsos cobertos de guizos; arlequins abrindo os braços do alto das tribunas que lhes proporcionam os gargalos de garrafas; animais de toda a casta, e as gaitinhas de toda a espécie e feitios, com os berimbaus, os tambores, as trompas; e para remate, as harmónicas inacessíveis, regalos… de príncipes reais. Quase isolada, mais larga e decorativa, embora mais curta, a rua com as barracas de arreios: a alegria andaluza dos cabrestões recamados de rosas, as retrancas franjadas, as rédeas de polimenta.

No coração da feira os aristocráticos ourives, com a densa e variada multidão da freguesia que lhes perscruta os escaparates: damas elegantes e desdenhosas; casais de namorados devaneando sobre a posse daqueles tesouros; campónias poupadas que forraram o dinheiro para comprar um par de brincos, ou um cordão, e andam com a família toda (e o noivo) horas sucessivas a examinar, a ajustar…

Por fim, formando bairro à parte, as barracas de «comes e bebes» com toques de guitarra e figurões congestionados que deitam  a cabeça de fora para vomitar vinho tinto…

Depois, ao ar livre (como chega o espaço para tanta coisa!) a obra de castanho, feita em Monchique: mesas, cadeiras e arcas; os montes de frutas, os peros rescendentes, o cascalho de nozes, as pirâmides de romãs; e as louças de barro, de faiança, estendidas sobre o junco, luzindo ao sol a peculiar garridice dos seus esmaltes vidrados.

Formando também bairro distinto as barracas de bazares ou leilões, dos títeres, e aquela infalível – temerosa – das feras, que se por acaso se soltassem (pobres feras!) devoravam tudo, com constante e enorme concorrência de labregos pasmados e de embarcadiços de mãos dadas e andar balouçado.

E as surpresas e transes da corredoira, para quem se propõe escolher um burro sólido e veloz, que mate de inveja os companheiros de escola?

Mas excedendo tudo a feira de gado, com essa raça de bois vermelhos que no Algarve apuram até à perfeição extreme, e não tem rival no mundo.(…)

E por todos os lados, o povo, a agitação, o bulício, a poeira, o barulho, são tais que as mães estonteadas, cegas, esquecem os filhos que se perdem e desaparecem roubados pelos ciganos, diz a lenda que cito para pôr ponto à relação de tantos assombros…  pueris».

Manuel Teixeira Gomes, Carnaval Literário, 1939

Feira de São Martinho de Portimão

A feira de São Martinho de Portimão realiza-se há 353 anos. Em 1662, D. Afonso VI deferiu o pedido dos Oficiais da Câmara de Portimão para que se realizasse uma feira anual no dia 11 de Novembro.

ALVARÁ

Eu, el Rei, faço saber aos que este alvará virem que havendo respeito ao que pela petição atrás escrita, assinada por Jacinto Fagundes Bezerra meu escrivão de Câmara, me enviaram dizer os oficiais da Câmara de Vila Nova de Portimão sobre se fazer cada ano uma feira na dita vila por dia de São Martinho, e visto o que alegam e o que constou por informação que se houve pelo provedor da Comarca do Reino do Algarve, hei por bem e me apraz que daqui em diante se possa fazer na dita vila uma feira cada ano no dia referido como os suplicantes pedem, sem prejuízo de minha fazenda real, e este alvará se cumprirá como se nele contém e valerá posto que seu efeito haja de durar mais de um ano, sem embargo da ordenação do Livro 2º título 4º em contrário, e não pagou novos direitos por não ser feira franca como constou da certidão do escrivão Henrique Correia da Silva.  Vital Paes a fez em Lisboa a três de Outubro de mil seiscentos e sessenta e dois. Jacinto Fagundes Bezerra o fez escrever.

Rei.

ANTT, Chancelaria de D. Afonso VI, Liv. 25, fl. 82

Quem foi SÃO MARTINHO?

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São Martinho, c. 1490

Budapeste, Museu Nacional

S. Martinho nasceu na Panónia, actual território da Hungria, em 316. Filho de um oficial do exército romano, seguiu a carreira militar até que, com cerca de 40 anos de idade foi ao encontro de santo Hilário, bispo de Poitiers, que lhe conferiu ordens sacras e lhe deu a oportunidade de entrar na vida religiosa. Dez anos depois foi ordenado bispo de Tours.   Faleceu em 11 de Novembro de 397 e, durante muitos séculos, foi um dos santos mais populares da Europa.

Desde a Idade Média, o calendário  litúrgico, com  profundas raízes populares, constituía uma referência para o calendário civil nos países de tradição cristã. Embora actualmente o laicismo dos Estados justifique a exclusão de muitos feriados religiosos, ainda permanecem as tradições evocativas de festividades cristãs, por vezes associadas aos ciclos da Natureza cultuados pelos celtas. O dia de S. Martinho corresponde, justamente, ao fim do ciclo das colheitas e à transição do Verão para o Inverno. Esta coincidência deu origem a inúmeros provérbios e à realização de feiras anuais que, durante séculos,  desempenharam uma função económica, social e cultural importantíssima.

PROVÉRBIOS

Dia de S. Martinho, fura o teu pipinho.

Dia de S.Martinho, lume, castanhas e vinho.

No dia de S. Martinho abre-se a pipa e prova-se o vinho.

No dia de S. Martinho come-se castanhas e prova-se o vinho.

No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho.

Pelo S. Martinho, todo o mosto é bom vinho.

Pelo S. Martinho, mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.

Pelo S. Martinho engorda o teu porquinho.

Se queres pasmar teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.

ADIVINHA

Tem casca bem guardada

Ninguém lhe pode mexer

Sozinha ou acompanhada

Em Novembro nos vem ver